Dia Mundial de HTA

Cartaz

Aumentar a consciência da população portuguesa e reduzir o consumo de sal

Mais uma vez, a Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH) associou-se à celebração do Dia Mundial da Hipertensão, 17 de maio, organizando uma série de iniciativas na cidade de Aveiro, que visaram alertar a população para a importância da prevenção e do tratamento adequado da hipertensão arterial (HTA). Lisboa e Porto também foram palco de ações, nos dias 10 e 12, dedicadas aos mais novos.

Na pitoresca Praça Dr. Joaquim Melo Freitas, no centro de Aveiro, junto à ria e aos barcos moliceiros, o animado bulício do evento convidava as pessoas a envolverem-se nas atividades. No espaço, estavam montadas áreas destinadas a palestras e show cooking e profissionais de saúde fizeram rastreios e aconselhamento médico e nutricional à população. Havia ainda uma zona de ervas aromáticas e oferta de pão confecionado sem sal.

Desde o início de dia 17, pessoas de várias faixas etárias foram afluindo aos postos de rastreio, vendo esta iniciativa como uma boa oportunidade para ficar a conhecer os seus valores clínicos. Pressão arterial, taxa de glicemia, índice de massa corporal e perímetro abdominal foram os parâmetros medidos.

As reações da população eram diversas: desde pessoas surpresas com os valores obtidos a gente com resultados normais que já tinha cuidados prévios, e mesmo pessoas que, apesar de serem hipertensas, não verificavam os parâmetros regularmente. Foi o caso de Olívia Lopes, com diabetes e HTA, que admitiu não saber que os valores estavam tão altos, pois não tem ido às consultas ultimamente. «Este evento foi muito bom porque me alertou para que tenha mais cuidado», confessou, acrescentando: «Deram-me bons conselhos nutricionais e vou já aderir às ervas aromáticas, porque abuso um pouco do sal e dos doces.»

Ervas aromáticas em substituição do sal

Sendo a ingestão salina um fator decisivo para o aumento da pressão arterial, as ervas aromáticas surgem como uma alternativa privilegiada, pois é através delas que é possível preparar pratos deliciosos, com reduzida quantidade ou mesmo ausência total de sal. Segundo o chef Paulo Vieira, que, durante o show cooking, preparou alimentos salteados com ervas aromáticas (salmão, peito de peru e lombinhos de porco), «todos estes pratos têm redução de sal e não há muita alteração a nível de sabor». Em substituição do sal, Paulo Vieira usa ervas como a mostarda, o poejo, os coentros, mas tenta sobretudo recorrer a ervas com um sabor mais forte e a condimentos como as pimentas. Já para substituir o açúcar, é usada a planta stevia.

O exercício físico também foi lembrado neste dia, com uma caminhada durante a manhã e duas aulas na parte da tarde – uma de zumba e outra destinada a idosos. «A prática regular de exercício físico diminui a pressão arterial e também protege de outras doenças como a obesidade e a diabetes, que muitas vezes estão associadas», explicou a Dr.ª Cristina Neves, interna de Medicina Geral e Familiar na Unidade de Saúde Familiar do Mar, na Póvoa de Varzim. A par do exercício físico, um estilo de vida saudável passa pela diminuição do consumo de sal e gorduras, aumento da ingestão de frutas e vegetais, cessação tabágica e diminuição do consumo de álcool, que também está associado ao aumento da pressão arterial.

A Dr.ª Cristina Neves e o Dr. Paulo Almeida, internista no Centro Hospitalar do Baixo Vouga, realizaram uma palestra dirigida à população, com o tema «Temos tempo e vida», em que, além dos hábitos de vida saudáveis, abordaram a importância da adesão à terapêutica, a prevalência da HTA na sociedade, o risco que comporta para a saúde e a conjugação com outras comorbilidades, que provocam um efeito sinérgico e contribuem para o risco cardiovascular global. Segundo Paulo Almeida, a SPH «tem trabalhado muito no sentido de aumentar a consciencialização das pessoas para o problema, sendo este evento a prova disso, pois decorre durante um dia completo, com inúmeras atividades para a população, desde as crianças até aos idosos».

Porque a SPH acredita que o envolvimento das crianças em ações de sensibilização é a melhor forma de levar bons hábitos para casa dos portugueses, as iniciativas do Dia Mundial da Hipertensão abarcaram um programa infantil que incluiu peças de teatro e atividades lúdicas com jogos tradicionais, como forma de estimular o exercício físico, no qual participaram cerca de 600 crianças. Também no âmbito desta data e dirigidas ao público infantil, decorreram atividades lúdicas de sensibilização para os efeitos negativos do consumo de sal em excesso envolvendo mais de uma centena de crianças provenientes do Colégio do Rosário e do Agrupamento de Escolas Leonardo Coimbra, no Porto (no dia 12 de maio), e do Externato Educação Popular, em Lisboa (no dia 10).

Aumentar a consciencialização das pessoas

Embora exista na população um conhecimento crescente, «ainda há muito trabalho árduo para fazer», revelou a Enf.ª Patrícia Quitério, enfermeira no Centro Hospitalar do Baixo Vouga, que coordenou os rastreios, salientando que «a população portuguesa ingere cerca de 11g de sal por dia, mas a Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza um consumo de 5g diários». O problema é que «ainda não há uma cultura de monitorização da pressão arterial e algumas pessoas ficam surpresas com os resultados, pois a HTA não causa sintomas e há uma certa desvalorização», salientou Patrícia Quitério.

A Prof.ª Elsa Melo, docente na Escola de Saúde da Universidade de Aveiro, que também coordenou os rastreios, referiu que «este evento tem um efeito educativo e de promoção de saúde junto da população, apesar de muitas pessoas já terem alguns conhecimentos básicos, uma vez que tem sido feito um investimento ao nível dos cuidados de saúde». Adicionalmente, como forma de reduzir a ingestão de sal, Patrícia Quitério defendeu «um investimento em termos de rotulagem de produtos alimentares, por exemplo com o uso de um sistema de cores associado ao teor de sal do alimento», o que permitiria que as pessoas pudessem tomar decisões em consciência.

O Prof. José Mesquita Bastos, presidente da SPH, referiu que «o evento teve a afluência esperada e funcionou como uma chamada de atenção». Na opinião do responsável, a mensagem é que «o doente deve ser olhado como um todo», avaliando não só a pressão arterial, mas também a obesidade, a diabetes e a dislipidemia. «As pessoas até podem ter perceção dos perigos da HTA mas, uma vez que não têm sintomas, poderão não ter consciência da necessidade de manter a medicação», sublinhou Mesquita Bastos.

Para o sucesso desta iniciativa foi importante a colaboração de vários intervenientes, como a Câmara Municipal de Aveiro, a Universidade local, entre outros parceiros. Vários restaurantes espalhados pela cidade aderiram também à ação, elaborando pratos com reduzido teor de sal.

SPH recebeu prémio da World Hypertension League

Também no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Hipertensão, a World Hypertension League atribuiu à SPH o prémio «Distinção notável para a redução do consumo de sal na população». Com este prémio, a World Hypertension League visa distinguir indivíduos e organizações cujos progressos tenham sido notáveis ao nível da prevenção e do controlo da HTA e da redução da ingestão de sal.

«Ganhar este prémio é motivo de grande orgulho para todos, embora saibamos que a nossa atuação não termina aqui. Ainda há um longo caminho a percorrer no que diz respeito à redução do consumo de sal», referiu Mesquita Bastos. A SPH foi a única vencedora na categoria que diz respeito à redução do consumo de sal.

Dia Mundial da Hipertensão 2015