Conheça melhor a Hipertensão Arterial
Hipertensão Arterial (HTA): o que é?
A Pressão Arterial (PA) é a força com que o sangue circula pelo interior das artérias no corpo. A Hipertensão Arterial (HTA) ocorre quando esta pressão se encontra elevada de forma crónica. A PA tem duas medidas: a pressão arterial sistólica ou "máxima" e a pressão arterial diastólica ou "mínima". A primeira corresponde ao momento em que o coração contrai, enviando o sangue para todo o corpo. A segunda ocorre quando o coração relaxa para se voltar a encher de sangue.

De acordo com vários estudos, estima-se que a nível da Europa, 30-45% da população tem HTA e Portugal não é exceção a estes números. 
Na maioria dos casos (90%), não há uma causa conhecida para a HTA. Diz-se que a HTA é essencial ou primária. Noutras situações, é possível encontrar uma doença/condição associada que é a verdadeira causa da HTA. Neste caso estamos perante uma HTA secundária. São exemplos dessas doenças/condições: a apneia do sono, a doença renal crónica, a síndrome de Cushing, o feocromocitoma, o hiperaldosteronismo primário, a coartação da aorta, a doença tiroideia e paratiroideia, a hipertensão renovascular, o uso de contracetivos orais e a gravidez. A hereditariedade e a idade também são dois fatores a ter em atenção. Em geral quanto mais idosa for a pessoa, maior a probabilidade de desenvolver a HTA.

Os doentes com HTA têm um maior risco de morte ou desenvolvimento de determinadas patologias, como a insuficiência cardíaca, acidentes vasculares cerebrais (AVC), enfarte do miocárdio, insuficiência renal, perda gradual da visão, esclerose das artérias, entre outros. A adoção de um estilo de vida saudável pode prevenir o aparecimento da doença e a sua deteção e acompanhamento precoces podem reduzir o risco de vir a desenvolver estas patologias.


Como se classifica?

Considera-se que uma pessoa é hipertensa, quando apresenta, em pelo menos duas ocasiões diferentes, um dos valores de PA (sistólica ou diastólica) ou ambos, iguais ou superiores a 140/90mmHg, determinados por um profissional treinado e utilizando um aparelho calibrado e validado.

Diz-se que uma pessoa tem valores de PA normais, quando apresenta ambos os valores abaixo de 130/85mmHg. Para valores entre 130-139mmHg de PA sistólica e/ou 85-89mmHg de PA diastólica, diz-se que os valores são normais-altos e, portanto, essa pessoa apresenta um maior risco de vir a ter HTA.

A HTA define-se por graus, de acordo com os valores de PA encontrados, sendo que os graus são importantes para definir a gravidade da doença e orientar a sua abordagem.





Quais são os sintomas?

Regra geral, a HTA não provoca quaisquer sintomas nos primeiros anos de doença. Nalguns casos, pode manifestar-se através de sintomas como cefaleias, tonturas, mal-estar difuso, visão desfocada, dor no peito ou sensação de falta de ar, sintomas estes que são comuns a muitas outras doenças. Contudo, com o passar dos anos, a PA elevada acaba por lesar os vasos sanguíneos e alguns órgãos vitais (cérebro, coração, rins) podendo provocar alguns sinais e sintomas relacionados com estas complicações.


Como se diagnostica?

Como por norma a HTA não causa sintomas, o seu diagnóstico é feito através da medição dos valores de PA e pela verificação de que os mesmos estão acima do limite normal. Um valor de PA aumentado isolado não significa que a pessoa seja hipertensa.

Para o diagnóstico de HTA são necessários:
    - pelo menos duas medições de PA aumentadas, em duas ocasiões diferentes;
    - um profissional treinado para a medição;
    - um esfigmomanómetro calibrado e validado e uma braçadeira adequada ao tamanho do braço. (
ver Monitorização da Hipertensão Arterial)

Compete ao médico fazer o diagnóstico da doença, uma vez que a PA do adulto pode variar, devido a fatores como o esforço físico ou stress, sem que tal signifique que o indivíduo sofra de HTA.


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Fatores de Risco Cardiovascular
São condições cuja presença num dado indivíduo aumenta a possibilidade de aparecimento de doença cardiovascular e contribui para o seu desenvolvimento.

Os Fatores de Risco Cardiovascular podem ser classificados em dois tipos: modificáveis e não modificáveis. Os primeiros são aqueles que, numa perspetiva de prevenção, podemos intervir e corrigir. Incluem o tabagismo, a hipertensão arterial, a dislipidemia (colesterol elevado), a diabetes, a obesidade, a inatividade física e o consumo excessivo de álcool. Um estilo de vida saudável tem uma influência positiva em todos estes fatores de risco (ver Viva Mais Saudável). Já os fatores de risco não modificáveis, não são passíveis de intervenção. Dizem respeito à idade, ao sexo e à história pessoal e familiar de doença cardiovascular.

É de realçar que estes fatores interagem e potenciam-se, tendo a sua associação um efeito sinérgico, aumentando de forma considerável a possibilidade de surgimento de doença cardiovascular. 

É assim importante um seguimento regular no seu Médico, de forma a que seja feita uma avaliação do seu risco cardiovascular global, tendo em consideração a presença concomitante destas condições, e estabelecido um plano de intervenções individualizado que favoreça o controlo de todos os fatores de risco modificáveis.
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Qual é o risco de vir a ter HTA?
Estão identificados vários fatores de risco que podem aumentar a probabilidade de desenvolvimento de Hipertensão Arterial (HTA). Alguns, tais como a idade e a história familiar, não podem ser controlados. Mas os fatores de risco relacionados com atitudes, comportamentos e estilos de vida pouco saudáveis, quando corrigidos, poderão prevenir o aparecimento de HTA. Assim, pode ter-se um papel ativo na prevenção desta doença, através da adoção hábitos de vida saudáveis.

Fatores de risco para desenvolvimento de HTA

  • Idade: A Pressão Arterial (PA) tende a aumentar com a idade. Para tal contribui o fato dos nossos vasos sanguíneos perderem a sua elasticidade ao longo dos anos. Estima-se que cerca de dois terços das pessoas com idade superior a 65 anos são hipertensas, sendo este o grupo etário em que a hipertensão sistólica isolada (aumento isolado da PA sistólica) é mais frequente.
  • Raça: A HTA pode acometer qualquer pessoa. Contudo, é mais comum e tendencialmente mais precoce e grave em indivíduos de raça negra, comparativamente com os caucasianos.
  • Sexo: Antes dos 45 anos, a HTA parece ser mais frequente entre os homens. No entanto, a partir dos 65 anos, após o início da menopausa, são as mulheres que estão em maior risco de desenvolver esta condição.
  • Hereditariedade: A existência de uma história familiar de HTA aumenta a probabilidade de desenvolver esta doença. Este risco é ainda maior, quando para além de um fundo genético predisponente, são partilhados estilos de vida pouco saudáveis. Não se consegue controlar a hereditariedade, mas podem ser adotadas medidas para diminuir o risco de HTA (ver Viva Mais Saudável).
  • Obesidade: A obesidade é inquestionavelmente um fator de risco para doença cardiovascular. As pessoas com obesidade, para além de apresentarem um maior risco de desenvolver HTA, têm tendencialmente níveis mais elevados de colesterol e triglicerídeos e maior probabilidade de vir a ter diabetes e problemas cardíacos. A obesidade define-se como um Índice de Massa Corporal (IMC) superior a 30. Para determinar o seu IMC basta dividir o seu peso (em quilogramas) pela altura (em metros) ao quadrado.
  • Consumo excessivo de álcool: O consumo excessivo de bebidas alcoólicas pode aumentar significativamente a PA. Sabe-se que o álcool constitui a terceira causa de doença e morte prematura a nível mundial, sendo um fator de risco importante para várias neoplasias, doenças cardíacas, doenças hepáticas, depressão e suicídio. Assim, se tem por hábito ingerir bebidas alcoólicas, aconselha-se moderar o consumo: no homem não ingerir mais de 2 bebidas por dia (por exemplo 3,3 dl de vinho) e na mulher não mais de 1 bebida por dia (por exemplo 1,65 dl de vinho).
  • Tabagismo: É sobejamente conhecida a relação entre o tabagismo e os problemas respiratórios e cancro do pulmão. Mas, o consumo crónico e prolongado do tabaco também constitui uma causa importante de doenças cardiovasculares. O tabaco é um grande inimigo do seu coração. Se é fumador, notará imediatamente benefícios na sua vida diária se deixar de fumar.
    (
    ver Tabaco e Hipertensão Arterial)
  • Alimentação inadequada e consumo excessivo de sal: Uma dieta rica em calorias, com alto teor de gorduras saturadas e pobre em nutrientes essenciais é prejudicial à saúde e contribui para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares  (ver Alimentação Saudável). É sabido que um elevado teor de sal na dieta é, também, um importante fator de risco no aumento da PA. O consumo de sal em Portugal permanece cerca do dobro do valor recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) – menos de 5g por dia (ver Sal e Hipertensão Arterial). O consumo excessivo de sal, ao provocar um aumento do conteúdo de sódio nos fluidos corporais, contribui para a retenção de água e consequente aumento da PA.
  • Sedentarismo: Uma vida sedentária está intimamente relacionada com um maior risco de obesidade, HTA e doenças cardíacas. Assim, é importante que mantenha uma vida ativa, praticando regularmente exercício físico
    (
    ver Atividade física e exercício físico na Hipertensão Arterial).
  • Stress: Elevados níveis de stress podem aumentar temporariamente a PA, mas não está provada a relação entre o stress e a HTA. Não obstante, as pessoas expostas a situações de maior stress, têm habitualmente comportamentos e estilos de vida menos saudáveis que poderão influenciar o risco de HTA.
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Monitorização da Hipertensão Arterial
Medição no domicílio é importante?

A medição da Pressão Arterial (PA) em casa é um complemento importante à medição da PA no consultório, sendo útil na avaliação do controlo da Hipertensão Arterial (HTA). A medição em ambiente de consulta, pelo seu Médico, mostra como está a PA naquele momento. Contudo, a PA sofre várias oscilações ao longo do dia, sendo influenciada por diversos fatores tais como a alimentação, o stress, o esforço físico e a medicação. Assim, a auto-medição da PA em ambulatório (conhecida como AMPA), ao fornecer um maior número de medições da PA, em condições ideais, fora do contexto de consulta, permite ter uma perceção mais fidedigna do seu perfil tensional. Podemos assim comparar a PA no consultório a uma fotografia do momento e a medição da PA em ambulatório a um vídeo, tendo em conta as medições sequenciais ao longo do tempo que são feitas. Assim, o seu Médico poderá recomendar a auto-medição da PA, de forma a obter informações sobre a eficácia da medicação anti-hipertensora e em algumas situações, tais como:

  • Avaliar a "Hipertensão de Bata Branca", definida como uma elevação persistente da PA no consultório e valores normais fora deste. Tal acontece porque, por vezes, em ambiente de consulta, algumas pessoas ficam mais ansiosas, o que contribui para um aumento transitório da PA;
  • Avaliar a "Hipertensão Mascarada". Ao contrário do que se verifica na "Hipertensão de Bata Branca", nesta condição verificam-se valores normais de PA no consultório, mas valores elevados fora deste;
  • Hipertensão Gestacional
    • A Monitorização da PA em casa obedece a alguns princípios e reúne características específicas, nomeadamente no que respeita ao tipo de aparelhos e forma de medição.


Como escolher o aparelho para medição da PA?


Há uma enorme variedade de aparelhos existentes no mercado, mas nem todos são recomendados. 
É importante que se aconselhe com o seu Médico na seleção do dispositivo mais apropriado.


Na escolha do aparelho para medição da PA, tenha em consideração as seguintes características: 
  • Devem ser aparelhos automáticos de medição da PA no braço. Os dispositivos que pressupõem a medição no punho ou nos dedos, ainda que colocados junto ao coração, fornecem valores tensionais pouco credíveis;
  • Escolha um aparelho validado. As especificações relativas à validação deverão constar das informações fornecidas pelo fabricante. Para verificar a lista de aparelhos validados, pode consultar www.dableducational.org;
  • Devem ser usadas braçadeiras de dimensões adequadas (pequenas, standard ou largas) de acordo com o diâmetro do braço (veja imagens abaixo – Figuras 1 e 2);
  • Idealmente devem possuir uma memória sólida para um número relevante de medições.
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Como e quando medir?


Tal como foi mencionado anteriormente, para ter significado clínico, é importante ter alguns aspetos em conta na medição da PA no domicílio:
  • A PA deve ser avaliada num ambiente calmo, após 5 minutos de descanso. Não deve ter fumado, ingerido estimulantes ou feito exercício nos 30 minutos prévios à medição da PA;
  • Deve estar na posição sentada, com as costas e braços apoiados;
  • A PA deve ser medida no braço que evidenciou de forma consistente valores tensionais mais elevados;
  • A avaliação da PA deve ser feita pelo menos durante 3-4 dias, preferencialmente durante 7 dias consecutivos, em 2 períodos do dia: de manhã e à tarde;
  • Em cada avaliação da PA, devem ser feitas 2 medições, com 1-2 minutos de intervalo;
  • Registe as medições efetuadas, bem como o dia e a hora. Partilhe este registo com a sua equipa de saúde. 
    Veja o vídeo exemplificativo.
      




E se os valores estiverem baixos - Devo preocupar-me?


Se não tiver nenhum sintoma, não há motivo para se preocupar. 

Os sinais e sintomas que se relacionam com a PA baixa incluem:
  • Tonturas
  • Desmaio
  • Sensação de desequilíbrio
  • Visão turva
  • Palpitações
  • Confusão mental
  • Fadiga
  • Dificuldade de concentração
  • Pele fria e pálida
  • Náuseas
Se experimentar algum destes sintomas, a PA baixa pode ter uma causa subjacente, pelo que é importante que seja observado pelo seu Médico. 


A PA pode diminuir por várias razões:
  • Diminuição do volume sanguíneo: pode ocorrer como resultado de uma hemorragia abundante ou desidratação;
  • Medicação: alguns tipos de medicação podem baixar a PA, incluindo os diuréticos e outros anti-hipertensores, alguns antidepressivos, medicamentos usados no tratamento da doença de Parkinson, entre outros;

  • Patologias graves tais como o choque séptico (infeção grave) ou anafilático (reação alérgica) provocam um declínio importante da PA, que pode colocar a vida em risco;
  • Problemas cardíacos: algumas condições como a insuficiência cardíaca, o enfarte agudo do miocárdio, a bradicardia (frequência cardíaca baixa) e doenças das válvulas cardíacas, podem conduzir a uma diminuição da PA;
  • Problemas endocrinológicos: alguns problemas hormonais como o hipotiroidismo e a insuficiência supra-renal podem causar diminuição da PA;
  • Hipotensão neurologicamente mediada: esta condição relaciona-se com um problema de comunicação entre o coração e o cérebro, e ocorre após um longo período em pé;
  • Problemas neurológicos: a PA pode diminuir se houver algum problema com o sistema neurológico autonómico (parte do sistema nervoso que controla funções como a respiração, circulação do sangue e digestão);
  • Repouso prolongado no leito.

O que é a hipotensão ortostática ou postural?


É a queda da PA resultante da mudança da posição de sentado ou deitado, para a posição de pé. Os sintomas resultantes são transitórios, durando habitualmente alguns segundos, enquanto a PA se ajusta à nova posição.
Alguns gestos podem limitar os sintomas de Hipotensão:
  • Levantar-se gradualmente
  • Evitar estar longos períodos de tempo em pé
  • Manter uma boa hidratação
  • Comer frequentemente ao longo do dia

E se os valores estiverem altos - O que fazer?


A ocorrência de uma súbita e marcada elevação da PA é comumente conhecida como crise hipertensiva. A sua gravidade relaciona-se sobretudo com a magnitude da elevação tensional e rapidez de instalação, e não tanto com o valor absoluto da PA. É importante realçar que num doente com HTA existe adaptação estrutural dos vasos arteriais, estando por isso mais protegidos, relativamente aos indivíduos normotensos, das consequências do aumento súbito da PA.

Em termos de valores absolutos, considera-se crise hipertensiva quando se verificam 
valores de PA sistólica > 180 mmHg ou PA diastólica > 120 mmHg.

Se obtiver estes valores na medição da PA no domicílio, deve aguardar uns minutos e medi-la novamente. Caso persistam estes valores tensionais e não tenha quaisquer sintomas, marque consulta com o seu Médico.

Urgência Hipertensiva:


Situação em que há uma elevação marcada dos valores de PA, na ausência de sinais e sintomas de dano nos órgãos-alvo (cérebro, coração, rim e vasos). 

O tratamento baseia-se na instituição ou ajuste da medicação anti-hipertensora (aumento da dose do fármaco ou associação de um novo fármaco). Nos casos em que houve suspensão da terapêutica anti-hipertensora, deve retomar-se a medicação previamente prescrita
Contudo, na presença de sintomas tais como dor torácica, falta de ar, alterações visuais ou dificuldade em falar, deve dirigir-se ao Serviço de Urgência.

Emergência Hipertensiva: 


Situação em que há uma elevação marcada dos valores de PA, associada a sinais e sintomas de lesão/disfunção grave de órgãos-alvo.

O tratamento é urgente e deverá ser administrado a nível hospitalar.

As consequências de uma subida tensional marcada podem ser graves e incluem, por exemplo:
  • Acidente Vascular Cerebral (AVC)
  • Encefalopatia hipertensiva (que se pode traduzir por alterações do estado de consciência e perda transitória da visão
  • Problemas cardíacos: Enfarte do miocárdio/Angina de peito/ Insuficiência cardíaca
  • Insuficiência renal aguda
  • Complicações da gravidez (ver Hipertensão Arterial na grávida).

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HTA na grávida
Nos últimos anos temos assistido ao adiamento da primeira gravidez para idades cada vez mais avançadas, assim como a um menor número de gestações em cada mulher. A sociedade de consumo em que vivemos é responsável por hábitos de vida pouco saudáveis, sendo a obesidade, o sedentarismo, o tabagismo e a Hipertensão Arterial (HTA) problemas graves nas mulheres em idade fértil, agravando o prognóstico da gravidez.

Cerca de 3% de todas as mulheres em idade fértil tem HTA e 6-10% de todas as gravidezes são complicadas por esta patologia.

A HTA é uma das intercorrências clínicas mais frequentes na gravidez acarretando riscos quer para a saúde da mãe, quer para a saúde do bebé. Pode complicar a evolução normal da gravidez, condicionando a restrição de crescimento intrauterino do feto, prematuridade ou mesmo a própria morte do feto. A presença de HTA na gravidez requer uma cuidada vigilância por uma equipa multidisciplinar face aos riscos acrescidos para a mãe e para o feto.

É pois importante que todas as mulheres em idade fértil conheçam os seus valores de tensão arterial, assim como é importante o planeamento atempado da gravidez. Nas mulheres que já têm HTA antes de engravidar, é de extrema importância que sejam seguidas em consulta especializada, de forma que a sua HTA esteja controlada. Naquelas que usam medicação, é importante que esta não seja lesiva para o futuro bebé. 

Nem todos os medicamentos usados para o tratamento da HTA são seguros para o futuro bebé. Por isso, se toma esta medicação e se pretende engravidar, consulte previamente o seu médico!


Quais os tipos de HTA que existem na grávida?

A HTA na grávida (valores iguais ou superiores a 140/90mmHg documentados em 2 determinações separadas de pelo menos 4 horas) pode surgir sob várias formas:
  • HTA crónica ou pré-existente: HTA que já existia antes da mulher engravidar ou que surgiu até às 20 semanas de gestação e que se prolonga depois das 12 semanas após o parto;
  • HTA gestacional: HTA que surge após as 20 semanas de gestação e que desaparece até às 12 semanas após o parto;
  • Pré-eclâmpsia: HTA gestacional associada a um aumento de proteínas na urina. É uma situação mais grave e que em muitas vezes requer uma monitorização e internamento hospitalar;
  • Pré-eclâmpsia sobreposta a HTA crónica: HTA crónica em que após as 20 semanas de gestação aparece um aumento das proteínas na urina. Tal como a situação anterior, muitas vezes requer uma monitorização e internamento hospitalar;
  • Eclâmpsia: HTA associada a um aumento de proteínas na urina e convulsões.
Sempre que se detete alguma destas situações, a mulher deve ser referenciada para a Consulta de Alto Risco Obstétrico para uma vigilância cuidada, face aos riscos acrescidos para a mãe e para o feto.
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HTA na criança
As crianças também podem ter a pressão arterial (PA) alta?
Sim! Cerca de 12,8% das crianças e jovens entre os 5 e os 18 anos têm a PA elevada. Na verdade, a Hipertensão Arterial (HTA) entre as crianças e os adolescentes está a registar uma dimensão preocupante, associada à obesidade. Tal deve-se em grande parte ao estilo de vida pouco saudável das crianças (alimentação rica em gordura e pobre em fibras, longos períodos de tempo em frente à televisão ou ao computador, raros momentos de brincadeiras ao ar livre, etc.). 

Quais são as causas da HTA na infância?
A HTA na infância parece ser causada pela interação de fatores genéticos e ambientais que começam a atuar muito precocemente, ainda no período pré-natal. Os fatores genéticos resultam de alterações num conjunto de mecanismos que contribuem para o controlo da PA (como o transporte de eletrólitos no sangue, mecanismos de controlo hormonal e pelo sistema nervoso simpático). Os fatores ambientais associam-se ao estilo de vida e incluem uma alimentação rica em sal, a obesidade, o stress, o sedentarismo, o tabagismo. Muitos dos casos de hipertensão infantil são secundários a doenças renais, vasculares ou a alterações hormonais. Quando não se identifica nenhum destes problemas a HTA diz-se essencial. 

A partir de que idade se deve medir a PA?
A HTA é habitualmente silenciosa, isto é, não apresenta sintomas, sendo por isso necessário o seu controlo, com a medição regular da PA. Assim, está recomendada a medição da PA anualmente, nas consultas de vigilância de saúde, a todas as crianças a partir dos 3 anos de idade, salvo em alguns grupos de risco (crianças portadoras de cardiopatia, prematuros, baixo peso à nascença, antecedentes de internamento numa Unidade de Cuidados Intensivos Neonatal, história familiar de doença congénita renal, antecedentes de infeções do trato urinário recorrentes), em que a PA deve ser avaliada antes dos 3 anos de idade.


Para o diagnóstico de HTA não basta apenas uma única medição com a PA elevada. Perante um valor elevado, o médico irá repetir a medição da PA pelo menos em três ocasiões diferentes, com um aparelho devidamente calibrado e adequado ao tamanho do braço da criança (
ver Como escolher o aparelho para medição da PA?), para poder fazer o diagnóstico.

Quais são as complicações da HTA na infância?
Hoje sabe-se que a PA elevada do adulto começa já na idade infantil. Crianças hipertensas poderão vir a ser adultos hipertensos.

Algumas das complicações que se iniciam precocemente em crianças hipertensas incluem a aterosclerose e a lesão de alguns órgãos como o rim ou o coração, causando hipertrofia ventricular esquerda, com aumento do tamanho do coração e suas consequências. Além disso, a HTA é um fator de risco importante e potencialmente reversível de doença cardiovascular (enfarte do miocárdio, acidente vascular cerebral) e de doença renal terminal em qualquer idade, daí a importância de diagnosticar, tratar e prevenir.

Como se trata a HTA na infância?
O objetivo do tratamento da HTA na infância é diminuir os valores de PA e prevenir eventuais complicações tardias da hipertensão.


A primeira linha de tratamento são as correções no estilo de vida (medidas não farmacológicas) incluindo a prevenção da obesidade, com exercício físico aeróbio regular, redução da ingestão de sal e de gorduras, aumento do consumo de frutas, verduras e fibras, bem como manter um padrão de sono regular prevenindo a privação de sono e prevenção do tabagismo nos adolescentes.
Em alguns casos pode ser necessário utilizar medicamentos, nomeadamente se existirem sintomas, se houver alguma causa para a HTA que necessite de ser tratada, se houver já lesões em alguns órgãos causadas pela hipertensão ou se as medidas não farmacológicas não resultarem e os valores da PA forem muito elevados.
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Tenho HTA: Quais os cuidados?
A Hipertensão Arterial (HTA) é o fator de risco mais apropriado a intervenções individuais e populacionais por vários motivos: (1) está intimamente associada à doença cardiovascular, (2) é muito prevalente, (3) é o principal fator de mortalidade e morbilidade no mundo e (4) a sua modificação é eficaz na prevenção da doença cardiovascular. 

A HTA, a obesidade, a dislipidemia e a diabetes resultam essencialmente da interação entre a genética humana (fator não modificável) e o estilo de vida moderno promotor de hábitos para os quais ela não está adequadamente preparada (fatores modificáveis). Os principais fatores de risco modificáveis são: a dieta pouco saudável (sal em excesso, dietas hipercalóricas e hiperlipídicas), a inatividade física e o tabaco.
 (ver Fatores de Risco Cardiovascular)

E porque as causas principais de doença cardiovascular são conhecidas e possíveis de modificar através da utilização de estratégias preventivas dirigidas às pessoas com doença estabelecida ou em risco elevado de a desenvolver, as doenças crónicas são, em grande medida, evitáveis.

A abordagem da HTA tem como principal objetivo a diminuição da morbilidade e da mortalidade cardiovasculares e para isso necessita de intervenções que favoreçam a redução da pressão arterial e, simultaneamente, o controlo de todos os fatores de risco modificáveis.

As bases da abordagem da pressão arterial elevada são as medidas gerais, também designadas medidas não farmacológicas, as quais, uma vez iniciadas, devem ser mantidas de forma permanente em todos os indivíduos, independentemente do grau de elevação da sua pressão arterial. Preferencialmente devem ser instituídas precocemente, isto é, em todas as pessoas que apresentem valores entre 130-139mmHg de sistólica e 85-89mmHg de diastólica (o designado normal alto) ou mesmo em normotensos, desde que apresentem risco cardiovascular elevado. 
(ver Viva mais saudável)


Aprenda a prevenir e a controlar a HTA


As estratégias preventivas, se aplicadas precocemente na vida, apresentam um potencial enorme para prevenir o desenvolvimento de HTA e de reduzir a carga total de doença hipertensiva e suas complicações. Para diminuir a pressão arterial e o risco cardiovascular, as alterações no estilo de vida (ver Viva mais saudável) são largamente consensuais e devem ser instituídas a todas as pessoas, independentemente da necessidade de terapêutica anti-hipertensora:
  • Redução da ingestão de sódio na alimentação (o sódio é o constituinte do sal responsável pelo aumento da pressão arterial e encontra-se naturalmente não só no sal de cozinha, mas também em vários alimentos, como os produtos de charcutaria, os queijos curados, entre outros);
  • Dieta equilibrada: aumento do consumo de frutas, legumes e alimentos ricos em fibra e potássio; diminuição da ingestão de gorduras saturadas presentes em certos alimentos (por exemplo carnes vermelhas, gema de ovo, manteiga, queijos curados, produtos de charcutaria e alimentos pré-cozinhados);
  • Moderação do consumo de álcool (por exemplo, um copo de vinho tinto à refeição);
  • Prática regular de exercício físico, sobretudo com movimentos aeróbios (marcha, corrida, natação ou dança);
  • Abandono do tabagismo;
  • Redução e/ou controlo do peso, caso se verifique excesso de peso ou obesidade.

Em consonância com todas estas medidas gerais de modificação dos hábitos e estilo de vida, deve ter sempre em consideração que, tratando-se de uma doença crónica, com potenciais repercussões e complicações, é preciso uma maior conscientização para:
  1. O controlo de outros fatores de risco cardiovascular;
  2. Caso faça medicação anti-hipertensora, deve cumprir SEMPRE o esquema terapêutico proposto pelo seu médico em detrimento das complicações que possam daí advir com a suspensão do(s) fármaco(s) e nunca por iniciativa própria!
  3. A medição de forma regular da tensão arterial, com registo dos valores para averiguar o controlo da PA no domicílio;
  4. Sinais e sintomas de alerta associados à elevação da pressão arterial, embora a doença em si seja considerada uma "doença silenciosa" por na maioria das situações não se encontrar associada a sintomas específicos.
A HTA, como doença crónica que é, necessita da terapêutica e vigilância continuada no tempo, sendo importante não esquecer que a interrupção da terapêutica, absoluta ou intermitente, pode associar-se a um agravamento da situação clínica. 
Ver mais
HTA: Mitos
A hipertensão arterial (HTA) é uma doença curável
A HTA é uma doença que pode ter cura, no entanto, este fato ocorre numa minoria dos casos. Em menos de 10% dos hipertensos encontramos uma causa curável para a doença. Na maioria das pessoas, a HTA é uma doença causada por diversos fatores (designada como doença multifactorial), atuando de uma forma conjunta e complexa. O avançar da idade, raça, história familiar, excesso de peso, sedentarismo, ingestão excessiva de sal, entre outros fatores, estão envolvidos na génese da doença. 
(ver Qual é o risco de vir a ter Hipertensão Arterial?)

A HTA costuma causar sintomas, como a dor de cabeça

A HTA não costuma causar sintomas, principalmente em hipertensos crónicos. Por este motivo, a doença é conhecida como a "doença silenciosa". Sintomas como dor de cabeça, mal-estar, tonturas e hemorragia nasal, não são um bom indicativo da presença de HTA. A monitorização ambulatória da pressão arterial (MAPA), exame que correlaciona valores da pressão arterial (PA) e a sintomatologia referida pelo paciente ao longo do dia, reforça a natureza assintomática da doença. 
(ver Quais são os sintomas?)

As pessoas devem apresentar um valor de PA relativamente constante

A PA costuma variar de acordo com as atividades exercidas pelo indivíduo. A PA costuma ser maior em situações de stress, excitação ou esforço físico. Durante o período do sono, costuma haver uma queda fisiológica da PA (descida de cerca de 10 quando comparada a pressão arterial média durante o dia). Os idosos apresentam uma grande variabilidade da PA, podendo num mesmo dia, apresentar valores discrepantes em curtos intervalos de tempo. É importante ter a noção de que a hipertensão não consiste na oscilação dos valores da PA, mas sim da persistência de níveis elevados da mesma. Não há um valor ideal e constante aplicável a todas as pessoas. 

É normal que as pessoas idosas tenham uma PA mais elevada.

Com a idade, pode verificar-se um aumento na PA máxima ou sistólica, enquanto que a PA mínima ou diastólica não aumenta (ou até diminui), após os 50 anos. Tanto para adultos como para idosos, uma PA sistólica maior ou igual a 140 mmHg é considerada sempre elevada (a designada HTA sistólica isolada).

A mulher tem sempre uma PA mais baixa

Até entrar na menopausa a mulher sofre influência dos estrogénios, que atuam com um efeito protetor a nível da PA. Mas esse fator não influencia significativamente a aferição de PA.

Iniciar uma medicação anti-hipertensora pode deixar o organismo de um paciente hipertenso dependente da mesma

A grande maioria dos hipertensos que inicia uma medicação anti-hipertensora, acaba por a usar de uma forma contínua e indefinida. No entanto, mudanças dos hábitos de vida poderão resultar numa normalização da PA. Nestes casos, a medicação anti-hipertensora poderá ser ajustada (ou mesmo suspensa), sem prejuízos de maior para o utente, sem nunca, contudo, esquecer uma vigilância regular dos valores da PA.

Uma vez que a PA está controlada e me sinto bem, poderei suspender a minha medicação

A normalização da PA costuma ser resultado da combinação de modificações no estilo de vida e da medicação anti-hipertensora.
Como a ação dos medicamentos é de carácter transitório (e daí a necessidade de tomas regulares dos mesmos), a sua suspensão elevará novamente a PA. 
Como tal, hipertensos que controlaram os níveis de PA após a introdução de medicamentos, não devem proceder à sua suspensão sem uma devida orientação médica. Além disso, é de crucial importância a medição regular dos valores de PA fora do consultório médico para avaliar se, de facto, os valores se encontram controlados e não há necessidade de ajuste terapêutico.

No dia da consulta, não devo tomar a medicação anti-hipertensora, pois só assim o médico saberá de facto como está a minha PA.

A medida da PA sob o uso de medicação anti-hipertensora poderá trazer informações importantes relativas ao curso da doença, em especial ao seu controlo. Esta NÃO deverá ser suspensa no dia da consulta.

As medicações anti-hipertensoras afectam o desempenho sexual.

Certos medicamentos anti-hipertensores (betabloqueantes, diuréticos ou a a-metildopa), podem alterar a resposta sexual. No entanto, existem hoje à disposição no mercado inúmeros medicamentos efetivos e bem tolerados, que minimizam este efeito colateral sobre o desempenho sexual da pessoa hipertensa.

Quando a pressão está baixa, colocar uma pitada de sal debaixo da língua resolve a situação.

Pode elevar temporariamente o nível da PA, mas para o efeito, não é a melhor forma de resolver a situação. Para elevar a pressão, o corpo deverá reter líquidos e isso não acontece imediatamente com a ingestão de sal. Como tal, a forma ideal para minorar os desconfortos da pressão baixa passa pela ingestão de líquidos (por exemplo, água) e, caso a pessoa esteja muito sintomática, deve deitar-se no chão mantendo as pernas elevadas acima da cabeça.
(ver E se os valores estiverem baixos – devo preocupar-me?)

Histórico familiar de pressão alta indica que a pessoa será hipertensa?

Embora o componente genético seja um fator de risco inegável, a pessoa não será necessariamente hipertensa. Fatores como o tabaco, álcool, sedentarismo, alimentação inadequada e obesidade são também fatores de risco relevantes para determinar quem será ou não hipertenso.
(ver Qual é o risco de vir a ter Hipertensão Arterial?)

Sou uma pessoa stressada, por isso a minha PA não se controla.

O stress, tal como outros fatores, apresenta influência na oscilação da PA, inclusivé em indivíduos saudáveis. Contudo, não impede o controlo da doença.
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Perguntas Frequentes sobre HTA
O que significam os valores de pressão arterial (PA)?

A PA "máxima" ou sistólica refere-se ao valor máximo alcançado com a contração do coração (sístole). Por outro lado, a PA "mínima" ou diastólica diz respeito ao valor mínimo quando o coração a seguir se distende e relaxa (diástole). 
(ver Hipertensão Arterial: O que é?)


Quais as consequências da hipertensão arterial (HTA)?

Se não for controlada, a HTA vai danificando vários órgãos ao longo do tempo e pode ocasionar diversos problemas de saúde:

  • Problemas cardíacos tais como o enfarte do miocárdio, angina de peito e insuficiência cardíaca
  • Acidente Vascular Cerebral (AVC)
  • Insuficiência renal
  • Perda de visão
  • Disfunção eréctil
  • Doença Vascular Periférica

Se tiver HTA, deve consultar o médico antes de engravidar?


Nas mulheres que já têm HTA antes da gravidez, é importante uma vigilância atenta e seguimento em consulta especializada, com o objetivo de conseguir um bom controlo da HTA e evitar as suas complicações. Nem todos os fármacos anti-hipertensores podem ser usados com segurança nesta fase, pois podem ter efeitos nefastos para o bebé. Por isso, deve haver um ajuste desta medicação durante a gravidez. Assim, se pretende engravidar, é importante consultar previamente o seu Médico. 
(ver Hipertensão Arterial na grávida)


As crianças devem consumir a mesma quantidade de sal do adulto?

Os bebés não devem consumir alimentos com adição de sal. Relativamente às crianças, as recomendações para a ingestão de sal são muito inferiores às do adulto. É importante realçar que quanto mais precoce for a exposição da criança a elevados níveis de sódio, maior será a probabilidade de desenvolver PA elevada em idade adulta. A tabela seguinte mostra a quantidade de sal recomendada para as várias faixas etárias (adaptação do Scientific Advisory Committee on Nutrition, Salt and Health, 2003).



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